quarta-feira, 25 de junho de 2014

Copa do Mundo no Brasil 2014








O Brasil é conhecido como o “país do futebol” e o mundo inteiro reconhece a habilidade de nossos jogadores. Existe no povo brasileiro uma paixão pelo futebol e, às vésperas da Copa do Mundo FIFA realizada pela segunda vez no país, há uma grande expectativa e ao mesmo tempo muitas tensões.


O esporte é uma condição para vida saudável, e o futebol, jogado com maestria, se torna uma arte digna de apreciação. O valor deste esporte é capaz de transformar muitas vidas, educar e abrir novos horizontes para crianças e jovens em diferentes realidades.


A Copa do Mundo é uma grande celebração da universalidade, uma oportunidade de abertura ao outro e de partilha, ocasião para refletir com a sociedade sobre as relações entre os povos e seus aspectos sociais e econômicos, na alegria que o esporte pode trazer ao espírito humano, bem como os valores mais profundos que é capaz de nutrir”, como lembra o Papa Francisco. Mais uma vez, a hospitalidade e a alegria do brasileiro serão oferecidas aos visitantes, em sua riqueza cultural e diversidade por todo o país.


Ao mesmo tempo, porém, a preparação da Copa tem gerado uma onde de protestos desde junho de 2013 até hoje que demonstram a insatisfação do povo. As quantias gastas com a Copa são inaceitáveis diante da realidade social e econômica do país que tanto necessita transformação. Muito dinheiro foi aplicado em obras para a Copa quando se deveria investir em outras necessidades urgentes da população brasileira. 

Por isso se questiona: Depois da Copa do Mundo o que ficará para o país? Para que servirão alguns grandes estádios e suas estruturas gigantescas em cidades com pouco movimento esportivo? O povo não se opõe ao futebol, mas reivindica que se aplique o mesmo “padrão FIFA” de qualidade nos serviços públicos, como educação, transporte e saúde. De nada adianta criar diante do mundo uma boa imagem do país para o exterior quando seu povo sofre com difíceis condições de vida que atentam sua dignidade. 

O povo brasileiro, e de maneira especial a juventude, saiu às ruas e reivindica o respeito aos direitos dos mais vulneráveis e efetivas políticas públicas que eliminem a miséria, estanquem a violência e garantam vida com dignidade para todos.

A Igreja do Brasil, por meio dos bispos, está inserida na vida do povo e declara que “não é possível aceitar que, por causa da Copa, famílias e comunidades inteiras tenham sido removidas para a construção de estádios e de outras obras estruturantes, numa clara violação do direito à moradia. Tampouco se pode admitir que a Copa aprofunde as desigualdades urbanas e a degradação ambiental”. 
Os bispos brasileiros dizem que “o sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito ao direito às pacíficas manifestações de rua, na criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a exploração sexual, sobretudo, de pessoas socialmente vulneráveis e combatam eficazmente o racismo e a violência”.[1]

Enfim, o desejo é que a Copa do Mundo no Brasil possa ser lembrada como tempo de congraçamento universal e fortalecimento da cidadania e que, acima de lutas por dinheiro e sucesso, todos os povos sejam vencedores pelo triunfo do bem e da vida.


Pe. Patrick Oliveira Urias OMI, Brasil


[1] Jogando pela vida: Mensagem da CNBB sobre a Copa do Mundo, 13 de maio de 201