quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Avance para águas mais profundas (Lc 5,1-11)


O pedido de avançar para águas mais profundas é um convite que se liga ao final desse mesmo texto evangélico: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens.” (Lc 5, 11).  Ora, esse convite e essa promessa são estendidos a cada um de nós hoje.  E, tendo que responder ao Senhor, que águas mais profundas de nossa vida estão precisando de nosso avanço, hoje?

Aprofundar-se no mistério de Deus na nossa história pessoal é viver a experiência daqueles humildes pescadores: podemos não saber no que dará, podemos nos sentir cansados por ver tantos outros esforços infrutíferos, mas algo de maior Aquele que nos pede estimula em nós.  Não estamos sozinhos na caminhada, assim como os discípulos não seguiram sozinhos em suas barcas.  E, caminhando conosco, Jesus irá se revelando em nossa vida, capacitando-nos para que possamos também revelá-lo a outros e outras, a sermos nós, hoje, pescadores de homens.

Reflitamos, pois, sobre esse convite especial e amoroso que o Mestre nos faz: avancemos para águas mais profundas, lancemos nossas redes.  Sem medo, sem cansaço, sem titubeios.  E assistamos, maravilhados, a profusão de conquistas que o Senhor quer nos dar.

Texto para reflexão: Lc 5, 1-11



Vocação é chamado. Deus chama para realizar algo. Ele chama e logo a seguir envia. Esse é o movimento de toda vocação. Toda vocação origina-se no seio da Santíssima Trindade e, por isso, é trinitária. E toda vocação é envio para uma missão. Nosso Batismo fez de cada um de nós um responsável pela missão, pois foi uma resposta ao apelo de Deus. Jesus chamou os seus discípulos, segundo Lucas, depois de uma pesca milagrosa em que Ele ordenou-lhes de “avançar em águas profundas” (Lucas 5, 4). 

1 - O PAI chama e envia.
          
É sempre Deus que chama, ninguém pode se declarar vocacionado para uma obra qualquer sem ter sido chamado por Deus. Já no Antigo Testamento havia falsos profetas que realizavam missões sem ter sido chamado por Deus. Os outros profetas os denunciavam.

Deus chama, porque ele quer enviar.Assim foi com Moisés (Êxodo 3, 10).

No Templo de Jerusalém, o profeta Isaías ouve o apelo de Deus: “A quem enviarei, e quem a de ir por nós?” Ao que o profeta responde imediatamente: Eis me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6, 8). 

Deus chama e envia porque Ele ama: “Deus amou tanto o mundo que lhe enviou o seu Filho Unigênito” (João 3, 16). “Como o Pai me enviou, Eu também vos envio” (João 20, 18).

Deus chama e envia porque Ele vê, ouve e conhece a situação em que se encontram as pessoas, geralmente no sofrimento, como no Egito (Êxodo 3, 7). 

Foi ao ver a situação de miséria e de abandono do Povo que a Juíza Débora sentiu a necessidade, em nome do Senhor Javé, reunir as forças de Israel para combater o inimigo. (Juízes 4, 6).

Foi ao ver a situação de ruína em que se encontrava a Igreja de Jesus Cristo que Santo Eugênio, Fundador da Congregação dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada, reuniu ao seu redor sacerdotes zelosos e preocupados com essa situação, prestes a dedicar sua vida sacerdotal à pregações de Santas Missões, para a renovação e a conversão dos Batizados.

E nós, hoje?


           
O Batismo foi e é resposta constante ao chamado de Deus-Pai. Ele nos convidou a participar de sua vida, a entrar na sua comunhão de amor, na vida trinitária. Se nos chamou é porque queria e quer nos enviar.

Qual é a situação que eu vejo no mundo? Na Igreja? No município? Na minha comunidade paroquial? O que mais me chama atenção?

Como batizado, em que me sinto interpelado, chamado pela situação em que se encontra o mundo, a Igreja, o meu município, a minha comunidade paroquial?   
           
A vocação é sempre um chamado que nasce do amor. Casado ou consagrado  na vida religiosa, sou chamado a amar, como realizo isso na minha vida?
           
2 - O Filho responde e vem anunciar a Boa Nova

“Ao entra no mundo, o Cristo diz: sacrifício e oferta não quisestes; antes um corpo me formastes; não te deleitastes com holocaustos e ofertas pelo pecado; então eu disse: Eis estou aqui para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hebreus 10, 5-6).

A vontade do Pai que Jesus vem realizar é que todos possam conviver bem, na fraternidade, é isso que Jesus chama de Reino do Pai, é essa a Boa Nova que Ele vem anunciar. “Jesus começou a proclamar a Boa Nova de Deus: o tempo já esgotou-se, o Reino de Deus está se fazendo próximo, por isso é preciso vocês se converterem e acreditarem não Evangelho que é essa Boa Nova” (Marcos 1, 14-15).

O Pai sempre envia para uma missão de bem, ou para libertar como Moisés enviado para libertar os Hebreus da escravidão do Egito, ou para defender os direitos dos injustiçados como Elias para defender Nabot (1o Reis 21).

A Boa Nova que Jesus traz é a possibilidade de construir uma sociedade diferente, baseada na partilha, na fraternidade, no serviço, na verdade e na liberdade (Lucas 4, 16-21).  Não somente anunciou, mas viveu segundo esses valores evangélicos.
           
E nós, hoje?
 
Na sociedade em que vivemos qual é a nossa missão? Missão como pai ou mãe de família, missão como cidadão ou cidadã de um município, de um Estado de uma Nação?  Missão como batizado ou batizada? De que mais precisa o mundo de hoje? Como respondemos a essas necessidades e como podemos melhorar a nossa resposta?
          
3 - O ESPÍRITO SANTO nos conduz na missão
           
A missão não se realiza de qualquer jeito. São Paulo já o escrevia aos cristãos da cidade de Corinto: “Rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a Palavra de Deus; não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor, e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2a Coríntios 4, 2 e 5). 



           
Jesus mesmo disse aos seus discípulos que os envia na força do Espírito: “Recebereis a força que vem do Alto, o Espírito Santo, e então sereis as minhas testemunhas” (Atos 1, 8). É o Espírito que ajuda a enfrentar as dificuldades, os obstáculos e a avançar em águas profundas.
            
O missionário é revestido da força do Espírito como o foi Jesus, os Apóstolos, os cristãos de todos os tempos e de todas as situações.
É o Espírito da verdade, da liberdade, que faz falar diante dos tribunais, dos reis e dos governadores. É o Espírito Santo que faz produzir os frutos do Reino: “Os frutos do Espírito são:  amor, a alegria, paz, paciência, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão, controle pessoal”(Gálatas 5, 22-23 ).

O Fundador dos Missionários Oblatos também teve que “ousar” isto é ter audácia, uma audácia que somente o Espírito podia lhe dar. Foi assim que ele se arriscou em enviar missionários para o Canadá, enquanto nem sequer tinha padres suficientes para as obras na França. Ele dizia que é preciso ousar tudo por causa do Evangelho. É preciso ir cada vez mais para frente: avançar em águas profundas. Ele recomendou também aos missionários, atitudes dignas da missão que eles desempenhavam.

Hoje nós somos chamados pelo nosso Batismo a tomar parte da missão da Igreja, anunciar a Boa Nova, lá onde estamos. Temos que nos arriscar, saindo das nossas preocupações pessoais, indo ao encontro dos outros, principalmente dos que ficam mais longe da comunidade cristã, e mais longe da vivência dos valores evangélicos. Como fazemos isso? A nossa maneira de viver é a primeira pregação: como vivemos os frutos do Espírito que Paulo apresentou na sua carta aos Gálatas?

Agora vamos rezar pelas vocações OMI

Jesus Cristo, Salvador do mundo, que às margens do Mar da Galileia, chamastes os Apóstolos para fazer deles portadores do TEU Evangelho, TE pedimos que, hoje continues olhando os jovens das nossas famílias, escolas, universidades, comunidades e paróquias, chamando-os a seguir a vida Missionária OMI.


Dai-lhes luz para iluminar as dúvidas e as decisões sobre o TEU seguimento e, assim, possam ingressar na vida religiosa consagrada. Infunde-lhes confiança e sabedoria para levar TUA Palavra e o testamento do TEU amor aos homens e mulheres do nosso tempo. Tu que és nosso Salvador, ontem, hoje e sempre. Amém.

Santo Eugênio de Mazenod – Rogai por nós!
Beatos e Mártires Oblatos – Rogai por nós!

Pe. Francisco Rubeaux, OMI.
Provincial dos OMI no Brasil